Dia bonito pra chover

 Foto: Lissandra Pedreira

 

O poeta Salgado Maranhão compartilha suas impressões sobre a leitura de Dia bonito pra chover.

 

     Tenho sido enfático, sempre que posso, quanto ao vigor das poéticas praticadas pelas mulheres negras, atualmente. Claro que não é de hoje, vem desde as décadas de 70 e 80, tendo como espaço difusor, inicialmente, os Cadernos Negros, em São Paulo. Mas, o que surpreende na produção de agora, é o amadurecimento das formas, o domínio do discurso poético como instrumento da estética, não apenas da revolta. Melhor ainda: a revolta transmutada em grito luminoso. No centro dessa fase virtuosa, está a poeta Lívia Natália, que, já tendo causado sensação em seus livros anteriores, nos apresenta um novo título −  "Dia bonito pra chover" −  que é um degrau a mais no critério de qualidade.

 

 

 

     Aproveitando-se, com rara habilidade, do saber teórico acumulado (Lívia é professora doutora em literatura), seus poemas tem a perfeita noção dos limites da contenção e do excesso. Podendo, assim, extrair o melhor entre os dois mundos. Sua poesia não se esconde dos conflitos raciais, mas não se deixa iludir pelo passional. Apesar disso, um de seus belos poemas combativos, impresso em outdoor, foi proibido pela polícia baiana, o que gerou protesto nacional. Uma proeza digna de nota.

 

 

 

 

   Mas, este é apenas um viés de sua multifacetada poética de múltiplos recursos sintáticos, que se faz espalhar em versos de extrema força vocabular, onde a língua carregada de alta tensão emotiva, explode em fúria e beleza.

     Sem qualquer sombra de dúvida, LIVIA NATÁLIA é uma das poetas que estarão presentes na cena da poesia daqui para frente.

 

Salgado Maranhão, New York, 14/10/2017

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