O escritor moçambicano Dany Wambire lança livro de contos, pela editora Malê, no Festival Literário


O Festival Literário de Poços de Caldas - Flipoços homenageia a literatura moçambicana, trazendo uma comitiva especial com seis escritores. Além de Dany Wambire, participarão do evento Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Mbate Pedro, Lucílio Mantaje e Sangare Okapi.

    O lançamento do livro A adubada fecundidade e outros contos vai ocorrer após a mesa Encontro com escritores moçambicanos, no dia 1 de maio, às 17 horas. Participarão do encontro, Dany Wambire, Mbate Pedro, Lucílio Mantaje e Sangare Okapi, que estarão lançando e autografando seus livros.


Em entrevista para o blog da Malê, Dany Wambire fala sobre sua formação literária e as expectativas para o lançamento do livro no Brasil.


Malê: Como começou sua relação com a leitura e escrita literária?

Dany Wambire: A minha relação com a escrita é resultado de um acidente de percurso, nunca ninguém dentro da minha família tinha inclinação para a escrita, apesar de ser filho de um pai que tinha uma caligrafia invejável. Até aos 17 anos, eu só lia manuais escolares. Aos 18 anos fui trabalhar para Machanga, distrito que fica a Sul da província de Sofala, tido como muito conservador. Aqui, fui assistindo a um conjunto de fenômenos culturais que me causaram estranheza, tendo em conta o meio em que eu tinha sido educado – ambiente urbano. Passei a registar aqueles fenômenos culturais e quando apresentei os registos a pessoas entendidas, estas disseram que eu tinha um vírus da escrita.


Malê: Quais os autores foram referência no seu processo de formação como leitor e escritor?

Dany Wambire: A partir dos manuais escolares, li fragmentos de muitos escritores. Mas quando me disseram que tinha uma veia para escrita, passei a ler com maior atenção as obras de Aníbal Aleluia, Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane e, sobretudo, de Mia Couto.


Malê: Como foi o processo de criação do livro A Adubada fecundidade e outros contos?

Dany Wambire: Este livro é inspirado no meu primeiro livro (inédito) intitulado “As peripécias do Regulado de Esteve”, um conjunto de contos tradicionais que recolhi no distrito de Machanga, onde inaugurei a minha profissão de professor. Mais tarde, depois de algum aprendizado, decidi dar um cunho mais literário aos principais contos daquele primeiro livro, e assim nasceu o livro “A Adubada fecundidade e outros contos”.


Malê: Você se considera um escritor com um projeto literário definido?

Dany Wambire: Com projeto definido, ainda não. Mas posso dizer que gosto de fazer uma literatura comprometida com a sociedade, nunca de diversão ou para me aliviar do stress. 



"O livro A adubada fecundidade e outros contos conecta a realidade cultural tradicional moçambicana com a contemporânea.  A apresentação é do escritor Mia Couto, que afirma: percebe-se que Dany não está apenas à busca de um modo de dizer: ele tem já uma raiz que é sua, um traço estilístico que define a sua identidade. Estes contos são um mergulho nesse outro mundo que não aceitamos ver, mas que é nosso e que traduz a nossa diversidade de povo. Há nestes textos uma lógica marginal mas que quer ser parte da correnteza do rio e as personagens, aparentemente estranhas das suas histórias, apenas espelham a realidade plural do nosso cotidiano."


Saiba mais em: www.editoramale.com



Malê: A edição brasileira do livro A adubada fecundidade e outros contos será lançada no dia 1 de maio na programação da Flipoços.  É seu primeiro texto publicado no Brasil?  Qual sua expectativa em relação a participação no evento e em relação ao lançamento do livro?

Dany Wambire: Já participei em algumas antologias no Brasil, mas isso é diferente de ter um livro a solo. Pela forma como editora Malê me abriu as portas auguro um casamento promissor. Confesso que essa relação me tem proporcionado alegria em cada etapa da ediçao deste livro, o que me conforta e permite dizer que há gente no campo editorial que sabe fazer as coisas.


Malê: A adubada fecundidade e outros contos foi lançado em Moçambique em 2014 e em 2013  recebeu a Menção Honrosa no Prêmio Internacional José Luís Peixoto. Como vem sendo a trajetória do livro?

Dany Wambire: Acho que o livro teve a sorte de ser o primeiro e graças a ele que alimentei o sonho de ser escritor. Teve as honras que teve e, a julgar pelas críticas produzidas, só posso dizer que o livro foi bem recebido.


Malê: Fale um pouco sobre o cenário literário de Moçambique e em como a revista literária SOLETRAS, que você edita, está inserida neste cenário?

Dany Wambire: Publicar em Moçambique nem sempre foi fácil. Tínhamos poucas editoras, muitas das quais só publicavam livros se houvesse garantia de patrocínio. Como se pode imaginar, só os escritores consagrados é que tinham o corredor livre para a publicação. Mas agora as coisas têm estado a mudar, mais editoras têm surgido e mais jovens têm publicado, muitos deles depois de serem distinguidos em algum concurso literário. A partir disso tem surgido inúmeras revistas literárias, que têm divulgado a literatura produzida pelos mais jovens. Uma dessas revistas é a SOLETRAS, da qual sou um dos fundadores e diretor editorial. Com ações como estas, sentimos que temos dado voz a muitos jovens.


* Acesse a Revista Soletras


Malê: Seu livro é prefaciado pelo Mia Couto.  Como se deu esse contato?  

Dany Wambire: Mia Couto, para mim, é como um pai. Com ele, não só aprendi as técnicas de escrita, mas também a saber estar no campo literário. Trabalho com Mia desde 2011, mas ele só aceitou prefaciar um dos meus livros em 2014, quando, certamente, achou que o livro podia ser consumido pelo grande público. O prefácio de Mia deu-me outro alento, tendo em conta que se tratava de uma produção independente.


Malê: Os escritores moçambicanos e de outros países africanos ainda são pouco lidos no Brasil.  Como você vê a importância de ações como esta que a Flipoços está promovendo? 

Dany Wambire: Acho que as ações como as da Flipoços permitem o intercâmbio entre culturas, reunindo no mesmo espaço diferentes fazedores das artes e cultura. E assim evitam-se a edificação de ilhas no campo da literatura. A literatura, por natureza, é diálogo, o texto se constrói com falas de personagens. Portanto, é preciso que os autores dos livros também dialoguem entre si e com os seus potenciais leitores.


Malê: Deixe um convite para que os leitores participem da Flipoços e do lançamento do seu livro no dia 1 de maio.

Dany Wambire: Estou ansioso por interagir com leitores brasileiros, sobretudo os que adoram as misteriosas histórias africanas. Este livro é para vocês. Venham celebrar a literatura africana, com a “Adubada fecundidade e outros contos”.


*Dany Wambire (pseudônimo de Danito Gimo da Graça Avelino)nasceu em 1989, é licenciado em Ensino de História pela Universidade Pedagógica (UP). Atua como professor primário e dirige a Revista Literária Soletras – A sopradora de Letras.


Serviço:

Lançamento de A adubada fecundidade e outros contos, de Dany Wambire.

Atividade integrante do Encontro com escritores Moçambicanos.

Bate-papo e lançamentos.

1 de maio, 17 horas, no Teatro Urca, 


Conheça a programação completa do Flipoços - Festival Literário de Poços de Caldas.



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