Azeviche, uma celebração da literatura preta brasileira


O Brasil ganha um presente neste Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Faz tempo que a data é celebrada somente com a agonia dos números – campeões de homicídios, recordes e mais recordes no extermínio de jovens negros, encarceramento galopante de mulheres negras, piores salários… Então, para começar este 21 de março de forma diferente, celebramos o lançamento de “Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira”, livro de contos e crônicas da Editora Malê. O azeviche é uma espécie de pedra preta curativa, muito utilizada na antiguidade para tratar resfriados, febres, cólicas menstruais, inchaços e distúrbios mentais, como variações de humor e depressão. Também aparece em adornos, como jóias.

“A coletânea tem a importância de dar visibilidade para a quantidade de escritoras negras brasileiras atuantes e para a diversidade de estilos e projetos literários desenvolvido por cada uma delas. Ainda encontramos circulando o discurso que no Brasil não existem escritoras negras e que por este motivo elas não estão nos grandes eventos literários, seus textos não são lidos nas escolas e seus livros não encontram espaço nas grandes editoras e livrarias”, denuncia Vagner Amaro, dono da editora.

A obra reúne vinte contos e crônicas das escritoras Ana Paula Lisboa, Cidinha da Silva, Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Esmeralda Ribeiro, Fátima Trinchão, Geni Guimarães, Lia Vieira, Miriam Alves e Taís Espírito Santo e pretende reduzir o abismo que ainda há entre a quantidade e a diversidade das escritoras negras brasileiras contemporâneas e os espaços de divulgação e circulação dos seus textos.

“O objetivo é colaborar para enriquecer o imaginário social brasileiro sobre quem faz literatura no Brasil, combater estereótipos, inspirar os debates e estudos sobre a visibilidade das autoras negras no mercado editorial e, principalmente, oferecer um bom livro literário”, complementa Vagner.

Serviço: Olhos de azeviche – Roda de conversa e lançamento. 21/03 Roda de conversa – Diversidade cultural na literatura brasileira. Horário: 18 horas Sessão de autógrafos: 19 horas


Fonte: Site - Luciana Barreto

Auditório Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional (RJ)

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